segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Comércio dentro de ônibus. Uma alternativa para o desemprego.


"Boa tarde, senhoras e senhores! Eu estou desempregado. Poderia estar matando ou roubando , mas, em vez disso, estou aqui tentando ganhar um dinheirinho extra para sustentar a minha família."Se você costuma andar de ônibus, já deve ter ouvido essa frase dezenas de vezes. Com uma taxa de desemprego de 15,9%, trabalhadores do Distrito Federal têm migrado para o comércio ambulante. Mas como essa é uma área bem saturada, resolveram inovar e vender mercadorias dentro dos ônibus.
Maria Aparecida Castro, 32 anos, está na atividade há seis meses. Com três filhos para criar e o marido doente, Maria Aparecida garante que essa foi a única opção. "Preciso ganhar a vida de algum jeito. Muitos passageiros se incomodam, mas, se tivessem filhos para criar e estivessem desempregados, fariam a mesma coisa", desabafa a ambulante.
Além da resistência de alguns passageiros, os ambulantes enfrentam outra dificuldade. Os comerciantes entram pela porta de trás. Sem pagar passagem. E os motoristas são instruídos pelas empresas que trabalham a não permitir essa prática. "Por dia, eu deixo entrar pelo menos dois vendedores, mas, se a empresa descobrir, é motivo de demissão", garante J.R., motorista da Viação Planalto. "A empresa não permite porque é proibido dar carona, mas, eles estão desempregados e, da forma como o desemprego aumenta, quem garante que amanhã eu não vou estar no lugar deles?", completou o motorista.
A opinião dos passageiros se divide. Carla Régia, moradora da Santa Maria, acredita que os ambulantes fazem isso por falta de opção, mas, admite: "às vezes eu fico irritada com eles. Se a gente não pensar bem, acaba perdendo a paciência".Carlos Alberto, da Samambaia, já vê a atividade com outros olhos. "Estão trabalhando honestamente. Pior é se estivessem assaltando os ônibus", afirmou.
Em informativo fixado nos ônibus, as empresas fazem questão de lembrar que a prática de carona é proibida por lei, mas e os comerciantes que pagam as passagens regularmente? Por enquanto, isso é um mistério. Em contato com a Secretaria de transportes do DF (Setrans), o Departamento de transporte Urbano do DF (DFTrans) e até com a Câmara Legislativa,ninguém soube informar se a prática é legal.

Concurso público não é fixação de todo brasiliense


“Os meus filhos serão funcionários públicos. O governo não atrasa pagamento e não costuma demitir funcionários”. Esta é a opinião de Vandevaldo Gonçalves, policial militar há 19 anos. Mesmo conhecendo as vantagens de “trabalhar para o governo”, ainda existem brasilienses que não querem sequer ouvir falar em concurso público. A universitária Andréa Ábia é uma delas. “A concorrência é muito grande. Tem gente que estuda três, quatro anos e não consegue passar”, afirma.

Andréa sonha em conseguir um bom trabalho, mas, lamenta: “não existem muitas oportunidades em Brasília”. Para a estudante de contabilidade Fabiana Yuri, a quantidade de funcionários públicos em Brasília faz com que o custo de vida seja muito alto. “As pessoas pensam que todo mundo aqui ganha mais de dois mil reais”, desabafa. “Tudo aqui é caro, principalmente moradia”.

Com tanta gente atrás de um cargo público, os cursos preparatórios se multiplicaram. Para o empresário José Wilson Granjeiro, dono de uma rede de cursos preparatórios para concursos, “o setor privado não oferece tantas oportunidades quanto o setor público”. No entanto, aponta uma saída para quem não quer se misturar à multidão. Segundo o empresário, quem não tem afinidade por cargos públicos “deve se especializar na área de tecnologia de informática ou tentar abrir seu próprio negócio, especialmente no setor de serviços, que vem crescendo a cada dia no Distrito Federal”.

13º para os contribuintes. 14º e 15º para os parlamentares


Aprovado em 2007 pela Câmara Distrital, o caráter optativo do 14º e 15º salários dos deputados não passou de mera formalidade. O projeto de lei garante aos parlamentares o direito de decidir se querem ou não receber o abono, mas, para abrir mão do benefício, os deputados teriam que formalizar sua decisão enviando um ofício à secretaria da Câmara. No entanto, o Secretário Geral da Câmara, Arlécio Gazal, recusou-se a informar os nomes de quem já fez isso até agora.

Segundo o deputado Reguffe, autor do projeto original, que previa a extinção da regalia, a decisão da Câmara foi vergonhosa. Para o deputado, gastos como esse são uma "irresponsabilidade com o dinheiro do contribuinte."

Enquanto a Câmara não aprova uma pauta mais ética, o contribuinte continua pagando a conta. A Câmara Distrital gasta, por ano, mais de 450 mil reais com o pagamento do 14º e 15º salários dos 24 integrantes dão casa. "A gente rala o ano inteiro para ganhar um 13º que não dá nem para pagar as contas, e ainda tem que para pagar o 14º dos deputados", desabafa a atendente Stefany Nataly.

Brasileiro "não tem tempo para ler contrato"


Aprovada em setembro, a Lei 11.785 acabou com as letras miúdas nos contratos. Ufa! Ninguém conseguia ler aquelas letrinnhas minúsculas! Agora que não podem ser redigidos com fonte inferior a 12... o brasileiro continua assinando contratos sem ler.

Vendedora há 25 anos, Fátima Góes enumera as desculpas dos clientes. "Não tenho tempo", "todo contrato é igual" e "confio em você" são as favoritas. Fátima confessa que já teve muitas reclamações posteriores de clientes que se recusaram a ler mas, ressalta: "não posso obrigar ninguém a ler".

O advogado Marcos Freire concorda. Segundo Marcos, alguns processos que correm na justiça durante anos poderiam ser evitados com 30 minutos de leitura. "O brasileiro não tem hábito de ler e, como não entende alguns termos dos contratos, prefere confiar na boa fé dos outros", lamenta o advogado.